“É muito difícil separar a relação sentimental da relação profissional, mas esse é o recomendado. Quando uma empresa familiar tem problemas, gera desgaste na família”, afirmou o professor e consultor da área de negócios Tibério Praxar, em entrevista ao Bom Dia Pernambuco desta segunda-feira (29). O consultor lembrou que o inverso também é proporcional. Por isso, as parcerias devem ser feitas entre pessoas que já mantêm um bom relacionamento. “Se a família briga, afeta diretamente na gestão da empresa e a empresa pode falir em decorrência da má relação entre as pessoas envolvidas no negócio”, alerta.
O consultor, que escreveu o livro 'Família, Família Negócios à Parte' com o também professor Abner Mesquita, ainda diz que os desgastes provocados pelos negócios tendem a ser mais graves que os familiares. Por isso, é preciso ter cuidado para não deixar que as dificuldades encontradas nos negócios estremeçam as relações pessoais. “Na disputa familiar, se abdica mais. Mas na relação empresarial, quando o dinheiro está envolvido, é mais difícil de se aceitar e se levar em conta as variáveis envolvidas. Por isso, a relação profissional tende a se desgastar mais rápido que a familiar”, explica.
Uma das saídas para manter as relações separadas é traçar um planejamento para os negócios. “É interessante dividir as atribuições desde a preparação da empresa. Assim, cada sócio fica com uma responsabilidade específica. Ao mesmo tempo, o planejamento contém os resultados esperados. Por isso, cada um pode cobrar do outro”, explica Praxar. Foi mais ou menos assim que o cabelereiro Souza Benassuly conseguiu montar uma empresa de sucesso com a esposa Daniela Marinho. Ele cuida dos cabelos, e ela, da administração.
“Aqui, ele não é meu marido. É meu sócio, meu colega de trabalho”, afirma Daniela, reconhecendo a dificuldade de assimilar as responsabilidades do negócio no início da empreitada, quando largou o emprego de vendedora para trabalhar com o marido. A empresa do casal foi fundada há 15 anos, quando Souza deixou de ser funcionário e comprou o salão de beleza. “Quando comprei a empresa, não conhecia ninguém. Precisava de uma pessoa de confiança que quisesse crescer comigo e ninguém melhor que ela para isso”, conta o empresário, que hoje emprega 17 pessoas e reconhece a importância da esposa no sucesso do negócio. “Não teríamos conseguido chegar onde chegamos se ela não estivesse aqui. O que conquistamos conquistamos juntos”, afirma.
Outro exemplo de que a sociedade entre entes queridos pode dar certo, desde que bem planejada, é a loja itinerante montada pelas amigas Adriana, Isabela e Regina. As três montaram uma loja de roupas e acessórios que não tem espaço físico próprio, é montada todo final de semana na casa de uma amiga ou cliente. Quem aceita receber as peças ganha 10% do lucro daqueles dias. “A rotina da casa muda completamente, mas vale a pena. A comissão é muito boa, mas não é só isso. É uma maneira diferente de receber as pessoas em casa”, acredita a economista Juliana Krauner, que recebeu a loja neste final de semana e transformou a sala e a varanda em mostruário, o quarto em provador e o outro quarto em caixa.
As sócias contam que o modelo de negócios vem dando certo. Por mês, já são cerca de 200 peças vendidas. E a ausência de um espaço próprio ainda gera economias extras. "A gente não tem aluguel e hoje em dia isso é uma coisa que conta muito. Também não temos um funcionário direto. A gente gera empregos indiretos, mas não trata da coisa trabalhista”, explica a empresária Regina Góes. Mas a amiga e sócia Adriana lembra: a amizade e os interesses em comum foram fundamentais para o sucesso da empeitada. “Antes de tudo, temos que combinar bastante, ter objetivos em comum. E a amizade ajudou muito nisso”, acredita.

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